2017
Dois mil e dezassete chegou, dizem,
com um atraso de um segundo em relação à hora normal. Não sei exactamente a
razão de tamanho atraso. Talvez por força do congestionamento de algum tráfego.
Mas não, acho que não. É uma possibilidade a não ter em conta... Deve ter sido
outra razão qualquer, a fazer com que o último dia do ano tenha tido um segundo
a mais, nesta sítio da terra. Mas chegou e isso é que importa. Se este segundo
não fosse coisa ultrapassável, isso é que era grave
Como sempre, onze ou doze horas
antes e já a Austrália festejava a viragem. Antes, ainda, a Nova Zelândia. E
depois desses, em dominó, outros lugares e os seus respectivos habitantes, até
chegar a nossa vez, e, depois de nós, todos os que nos seguiram.
De dois mil e dezasseis fica-nos a
memória dos tantos desaparecimentos de ídolos e heróis, (e não é sempre assim,
até nos esquecermos de quase todos…) do Brexit, da vitoria de Trump, ds ameaças
que se concretizarão, ou não, este ano, na Alemanha, na França, em Itália e
etc...
As democracias em alerta, mostrando
as suas fragilidades, o corpo consumindo-se nas suas contradições, sendo
minadas por dentro, por dentro delas, fragilizando o seu, já de si, frágil
equilibrio.
Para esse desiquilibrio, muito têm
ajudado os desiquilibrios cada vez mais constatáveis, entre os que habitam este
lugar, para os quais não é indiferente as intermináveis guerras que, um pouco
por todo o mundo, se vão aporlongando ou eclodindo, fazendo-nos divergir cada vez
mais, nos pressupostos bélicos, pois claro, mas também nos pressupostos éticos.
Apesar desses
desiquilibrios, notáveis, ainda mais por, por estes dias, se viver o natal,
essa época tão especial que convoca à desmobilização da ostentação e, contudo,
a faz desencadear com o apelo desmesurado ao consumismo, ainda temos de tolerar
os desvaneios dos que, ciclicamente, fazem balanços e previsões sobre o que
aconteceu e o que vai acontecer.
Por cá, analisou-se o funcionamento
de geringonça (é a palavra do ano, não é?) e prespectivou-se o que ela será
apaz de gerigoncear neste ano recém-nascido.
Por falar em geringonça:
Numa das últimas aparições do ano, num
jantar de natal partidário, lá está, o ministro dos negócios estranjeiros,
julgando que não estava a ser gravado e estava, proferiu laudas ao desempenho
de um seu camarada ministro, clamando que “ali o vieira da silva conseguiu mais
um acordo”. E dirigindo-se ao tal vieira da silva, elogiou-o à grande e à
francesa dizendo para quem o queria ouvir: “ Oh zé antonio, es o maior. Grande
negociante. Era como uma feira de gado. Foram todos menos a cgtp? Parabéns”.
Apertado pela
comunicação social, que não deveria ter valorizado uma gravação conseguida à
margem do código de ética – mas onde é que isso já lá vai... - disse que o que queria salientar era a dureza, a complexidade e a
honradez das negociações nesses eventos, em que a Palavra era coisa bastante
para fechar um contrato.
E é com estas linhas que se cozem
os nossos dias.
Bom ano.
0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home